O Business Model Canvas, criado por Alexander Osterwalder, é uma ferramenta estratégica e visual utilizada para descrever, desenvolver, avaliar e alterar modelos de negócios de forma prática. Estruturado em um quadro composto por nove blocos fundamentais que se relacionam entre si, ele permite aos empreendedores organizar as ideias e compreender rapidamente a lógica de funcionamento de uma empresa.
Embora o Business Model Canvas original seja a base estrutural para a modelagem de empresas, existem diversas adaptações da ferramenta criadas para atender a necessidades específicas: o Lean Canvas, por exemplo, foi desenvolvido para startups em estágios iniciais e foca na identificação ágil de problemas e soluções sob cenários de alta incerteza; já o Modelo C é direcionado especificamente a negócios de impacto socioambiental, propondo uma integração coerente entre o fluxo comercial e a lógica de transformação social (baseada na Teoria de Mudança);
O Canvas Modelo Dante foi construído especialmente para o Projeto Interdisciplinar do Ensino Médio pelos professores de STEAM-S. O modelo mescla elementos do Business Model Canvas, do Lean Canvas e do Canvas Modelo C.
O modelo surge como uma ferramenta de arquitetura pedagógica. Ele integra Design Thinking, Educação STEAM-S e Empreendedorismo Social. O objetivo é ajudar o estudante a pensar de forma estruturada e se tornar um arquiteto de soluções para os grandes desafios globais.
Fonte: CDA, 2021
Diferente de um Business Model Canvas tradicional, ele foca na jornada de resolução de um problema socioambiental até chegar à viabilidade financeira. O modelo está dividido em quatro grandes blocos.
O fluxo visual começa no Problema (centro-topo), expande-se para a compreensão do Contexto, desce para a definição da Solução técnica e termina na viabilização prática através da Prototipação e do modelo de Negócio Social. É um roteiro completo para transformar uma preocupação acadêmica ou social em um produto viável e impactante.
Passo 1: A Questão Norteadora e o Problema Inicie pelo centro-topo. A Questão Norteadora é sua bússola: uma pergunta que não tem resposta pronta. Abaixo dela, defina o Problema (sua âncora), descrevendo a dor específica que você pretende erradicar ou mitigar.
Passo 2: Análise de Contexto (Bloco Azul) Fundamente sua intervenção. Quem é impactado? Onde o problema é mais agudo? Na seção Aderência, você deve obrigatoriamente conectar sua ideia à emergência climática e às metas específicas dos ODS. Sem aderência, o projeto carece de relevância global.
Passo 3: Desenho da Solução (Bloco Verde) Projete seu produto ou serviço. Aqui, a precisão terminológica é vital:
Lógica de Preenchimento: Diferencie o Cliente (quem financia ou adquire a solução, como um investidor ou patrocinador) do Público-Alvo (o beneficiário direto do impacto social). Um negócio social robusto entende essa dualidade.
Passo 4: Prototipação (Bloco Cinza) Não tente construir tudo de uma vez. Defina qual função crítica será validada. Liste os recursos do FabDante— como filamentos para impressão 3D ou chapas para corte a laser — necessários para transformar sua teoria em um artefato funcional.
Passo 5: Sustentabilidade e Negócio Social (Bloco Vermelho) Justifique por que sua solução é um negócio social (resolução de problema social via lógica de mercado). Detalhe as Fontes de Receita, separando o investimento inicial (Capex) para o protótipo/lançamento da receita operacional (Opex) que manterá o projeto perene.
Dica de Especialista: A lógica de preenchimento é centrífuga: comece no centro (Problema/Questão), suba para o Contexto, desça para a Solução e expanda para as extremidades (Prototipação e Negócio Social). Isso garante que sua engenharia financeira e técnica suporte, de fato, a transformação social pretendida.